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"Os diletantes são-no geralmente de ideias ou de emoções - porque para compreender todas as ideias ou sentir todas as emoções basta exercer o pensamento ou exercer o sentimento, e todos nós, mortais, podemos, sem que nenhum obstáculo nos coarcte, mover-nos liberrimamente nos ilimitados campos do raciocínio ou da sensibilidade.” Eça de Queiroz

Portugal em filmes

JAC, em 18.03.13
AICEP
Turismo de Portugal

 

A AICEP lançou um vídeo de divulgação de Portugal que começou a circular nas redes sociais e em alguns blogues e que vai sendo elogiado em contraponto com o do Turismo de Portugal, ambos aqui apresentados.

Reconhecendo a mensagem redutora do Turismo de Portugal, que parece querer passar a imagem de Portugal como a de uma pensão antiga, familiar e acolhedora, sendo ridícula em particular a parte do Sr. António e das camisas, aquilo que se vê é de facto Portugal. Reduzido a uma ideia monodimensional, mas é Portugal. O filme é bem executado e as imagens bem captadas e montadas. Falha claramente pela mensagem e não pela execução.

Surge então, agora, o vídeo da AICEP, que me enerva logo a abrir. É absolutamente inadmissível que um vídeo institucional comece com "product placement" descarado de três, repito, três marcas – Moleskine, Apple e Montblanc – que apesar de excelentes, e muito cá de casa, não são portuguesas e nada têm a ver com Portugal.

Segue depois para uma sequência de imagens de paisagens artificializadas por quilos de filtros ao pior estilo Instagram. Estamos a falar de Portugal, que se há coisa que tem de distintivo e de extraordinário é o sol, é esta luz única que é simplesmente destruída nestas imagens e que me faria pensar, caso não conhecesse Portugal, que se tratava de um país com tão pouca beleza natural que a tem de vender embrulhada na maior artificialidade. Um profundo disparate.

A música, parece tirada de um qualquer banco de sons, de uma pobreza franciscana e óptima para uma noite de insónia profunda.

As coisas estavam a melhorar quando começavam a aparecer os portugueses notáveis, que felizmente são cada vez mais e mais reconhecidos lá fora, e eis que aparece Durão Barroso. Nos tempos de crise em que estamos e em que o papel deste senhor tem oscilado entre dizer algo e o seu oposto no espaço de dias e dizer coisas vagas e incompreensíveis, a tal modo que já se percebeu que é uma inexistência e que ninguém o ouve na Europa, sendo por lá mantido precisamente pela sua irrelevância, é no mínimo dos mínimos estranho. Se quem fez o filme não concorda com isto, devia pelo menos parar para pensar se era oportuno e popular que esta personagem aparecesse no filme como um notável português.

Vá lá que a partir de metade do filme a coisa melhora e está francamente mais bem feita, com uma mensagem clara e imagens mais conseguidas, a um ponto que até parece que foi feita por outra pessoa, mas a coisa não podia acabar bem, e no fim lá voltam a não resistir à Montblanc e aos filtros Instagram de quinta categoria.

Resumindo, se o vídeo do Turismo de Portugal roçava, passando por vezes, o ridículo, o da AICEP roça o insultuoso e é um delírio de alguém que não me parece que tenha de prestar contas por este devaneio.

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