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"Os diletantes são-no geralmente de ideias ou de emoções - porque para compreender todas as ideias ou sentir todas as emoções basta exercer o pensamento ou exercer o sentimento, e todos nós, mortais, podemos, sem que nenhum obstáculo nos coarcte, mover-nos liberrimamente nos ilimitados campos do raciocínio ou da sensibilidade.” Eça de Queiroz

Olé, olé, João Moura

João A. Moreira, em 25.05.13

 Eran las cinco en punto de la tarde...”

 

Caro João,

Veio-me à memória este excerto do magnífico poema de Garcia Lorca a propósito da despedida que fará hoje da Monumental de Las Ventas. Um oceano de distância impede-me de estar presente e de me emocionar com esta sua última corrida em Madrid, que antes de acontecer, é já um marco na história da tauromaquia mundial.

Há 37 anos, no exacto ano em que o João saía em ombros, pela primeira de 9 vezes, pela Porta Grande da Monumental de Las Ventas, eu, com cinco anos de idade, entrava na Monumental de Santarém para ver a minha primeira Corrida de Toiros. Desde esse dia que me apaixonei pela Festa Brava!

Nunca fui, como o João bem sabe, um aficionado clássico. Nunca me interessaram os meandros da Festa, o exagero dos pormenores técnicos que fazem o encanto dos especialistas, nem as classificações rígidas que apenas servem para alimentar emotivas discussões de supostos entendidos. Sempre entendi a Festa, como a maior e mais antiga manifestação cultural dos povos do sul da Europa e por isso me interessei exclusivamente pela suas vertentes estética, plástica e artística. Aí entra o João, como o maior dos seus intérpretes.

A genialidade artística vislumbra-se quase sempre em pequenos apontamentos. E, ao longo dos anos, o João ofereceu à Festa recortes duma genialidade artística ímpar. Esse dom único, associado a um trabalho esforçado e minucioso de interpretação do oponente e duma invejável capacidade de preparar e cuidar os seus cavalos, permitiram a maior transformação no toureio de que há memória.   

Em muitas das suas lides, vi, por momentos, a leveza inimitável do capote de Paula e o infindável temple da muleta de Romero e isso é muito mais do que se pode pedir de uma lide a cavalo.

Por tudo isto João, antecipo as crónicas de amanhã, que descreverão a emoção da mais exigente das platéias, ao despedir-se de um dos seus maiores ídolos. Madrid ovacionará de pé e lágrimas nos olhos o triunfador de tantas tardes de glória e emoção. Acenará de lenços brancos esvoaçando ao vento o seu mais querido rejoneador e vibrará, não duvido, com a jovialidade vibrante do seu filho Miguel, justíssimo debutante na Catedral do Toureio.

Olé, olé Juan Moura, ouvir-se-á hoje por Madrid, quando forem cinco en punto de la tarde.

 

Ao genial toureiro e bom amigo João Moura.

 

Sorte João!

 

 

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