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"Os diletantes são-no geralmente de ideias ou de emoções - porque para compreender todas as ideias ou sentir todas as emoções basta exercer o pensamento ou exercer o sentimento, e todos nós, mortais, podemos, sem que nenhum obstáculo nos coarcte, mover-nos liberrimamente nos ilimitados campos do raciocínio ou da sensibilidade.” Eça de Queiroz

Francisco, o Papa do Sorriso

João A. Moreira, em 29.07.13

Por estranho que possa parecer, a intelectualidade brasileira ainda vive o sonho sartriano duma utopia marxista a que nem a tirania soviética, causadora da maior chacina da história da humanidade, conseguiu por fim. Como Sartre, que sem pudor perseguiu e insultou Aron, Koestler e até Arendt, a esquerda brasileira não hesita em perseguir, insultar e achincalhar quem ousa não pensar pela mesma cartilha. Por isso, foram muitos os que, durante estes dias de visita papal, se empenharam em conspurcar, insultar, denegrir e insultar a fé da maioria dos brasileiros. Habituados à complacência e à tolerância cristãs, rasgaram imagens de Jesus, cuspiram em imagens de Santos, ridicularizaram cenas bíblicas. Numa intolerância característica dos tiranetes, encontraram na vinda de Francisco, o Papa dos pobres, motivo para achincalhar a Igreja de Cristo, esquecendo que dessa forma achincalhavam a maioria do povo brasileiro. A todos esses “corajosos” agitadores, gostaria de ver, com o mesmo empenho, nas ruas de Teerão, rasgando o Alcorão ou queimando imagens de Maomé. A todos esses “corajosos” intelectuais, gostaria de ver escreverem sobre os direitos das mulheres no Islão, ou sobre a abscisão no Sudão, com a mesma sobranceria e prepotência com que insultam os cristãos no resto do mundo.

Mas, de que importa falar de uns quantos soixante-huitard complexados, quando milhares e milhares de jovens peregrinos inundavam Copacabana?

E, durante este fim-de-semana, todos os caminhos iam dar a Copacabana.

Os tradicionais, mar de branco do Reveillon e mar de todas as cores do Carnaval, passaram a ser pequenos perante o oceano de gente que desembocou na Avenida Atlântica para comungar da mensagem de amor do Papa do Sorriso. As praias e o célebre calçadão da zona sul transformaram-se, por momentos, num gigantesco dormitório ao ar livre de jovens crentes que, resistentes à chuva e a um inusitado vento frio de Julho, encheram duma transbordante alegria o coração da Cidade Maravilhosa. Como se, de repente, no espaço habitualmente ocupado pelos excluídos, cumprissem o desafio de despojamento proposto por Francisco, lançando um gigantesco grito de alerta, capaz de chegar sonora e efectivamente às coberturas da Vieira Souto e aos condomínios da Barra.

Deambulando por Copacabana, podiam ver-se jovens dividindo haveres, padres confessando noite dentro, freiras rezando, músicos tocando samba, sem abrigo partilhando o seu espaço… Pelas ruas do Leme e de Copacabana, viveu-se uma experiência única de comunhão em Cristo que envolveu num abraço fraterno gringos e cariocas, pretos e brancos, cristãos e evangélicos, ricos e pobres. As tradicionais tribos do Rio fundiram-se numa só: a tribo da dádiva e da partilha.

Por isso, quando Francisco chegou, sorriso aberto e afetuoso, depois de já ter emocionado índios, afro-brasileiros e até crianças, foi com naturalidade que tocou os corações dos três milhões de jovens peregrinos reunidos junto ao mar para ouvirem a sua mensagem.

“Os jovens nas ruas querem ser actores de mudança. Por favor, não deixem que sejam os outros os actores da mudança. Não fiquem à margem da vida, não foi à margem que Jesus permaneceu. Ele comprometeu-se. Comprometam-se tal como fez Jesus!” “O vosso jovem coração quer construir um mundo melhor. Sigo as notícias do mundo e vejo tantos jovens que saem à rua para exprimir o seu desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Peço-vos que sejam os construtores do futuro.”

Ao contrário do que muitos querem fazer crer, Francisco não veio para revolucionar a Igreja, mas antes para nos recordar que a Igreja somos todos nós, com igual importância e responsabilidade perante o próximo, nosso irmão. E que só quando conseguirmos ajudar todos os nossos semelhantes a conquistarem a dignidade devida a todo o ser humano, teremos cumprido o desafio de Cristo. Esta foi a mensagem revolucionária que o primeiro Papa latino-americano veio deixar aos jovens de todo o mundo reunidos nas praias do Rio de Janeiro.

Este fim-de-semana todos os caminhos vinham dar a Copacabana. Esperemos, como Francisco, que amanhã, de Copacabana, pela mão de cada um dos jovens presente nestas Jornadas Mundiais da Juventude, se espalhe esta mensagem, imprescindível, de transformação do mundo num lugar mais justo, mais humano e mais fraterno.

Bem precisamos que assim seja!

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