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"Os diletantes são-no geralmente de ideias ou de emoções - porque para compreender todas as ideias ou sentir todas as emoções basta exercer o pensamento ou exercer o sentimento, e todos nós, mortais, podemos, sem que nenhum obstáculo nos coarcte, mover-nos liberrimamente nos ilimitados campos do raciocínio ou da sensibilidade.” Eça de Queiroz

Aos meus pais

João A. Moreira, em 15.09.13

 

Já houve um tempo em que os casamentos eram para a vida. Cozinhados em longos namoros vigiados, eram coisa séria, ponderada, exigindo uma preparação que, em boa verdade, começava na infância e se arrastava adolescência adentro até à idade adulta, indiciando uma vida em comum que não seria fácil.

Os meus pais são desse tempo e talvez por isso tenham festejado ontem, dia 14 de Setembro, 50 anos de casamento.

Como escreveu o Miguel Esteves Cardoso, “O casamento é um filho. Quando esse filho é amado...o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro. Também têm de amar o casamento que criaram.” Esse tem sido o grande segredo dos meus pais ao longo deste meio século de vida em comum. Trataram o casamento como um filho, decidindo abdicar um bocadinho de cada um deles em favor desse filho que optaram por criar numa manhã de Setembro de 1963.

Nem sempre foi fácil, porque o despojamento nunca é fácil e o casamento é exactamente isso, o despojamento do eu que éramos, antes de termos decidido transformá-lo no nós que passamos a ser. Mas, quando é feito de forma consciente e temperado com amor, resulta. Com eles resultou.

Por isso, sempre que a vida, que gosta de testar o amor, foi pregando rasteiras e trazendo agruras que não estavam previstas, testemunhei a forma abnegada com que as aceitaram e como souberam transformá-las em forças para seguir em frente. Desses momentos mais difíceis sobrou o olhar apaixonado e carinhoso que sempre vi devolverem um ao outro, prova inequívoca do seu amor sem reservas.

 Ontem, não estive com eles, agradecendo a Deus estes 50 anos de partilha, nem brindei com eles, Sena acima, a extraordinária dádiva do seu exemplo. Mas, eternamente grato pelo seu amor incondicional, pelo seu apoio sem cobranças, rezei a Deus para que possa continuar a ter o privilégio de os ter por perto, mesmo quando longe e a orgulhar-me do pouco de bom que tenho, que se deve exclusivamente ao muito de bom que herdei de cada um deles.

Queridos pais, parabéns e brigado pelo vosso exemplo.

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