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"Os diletantes são-no geralmente de ideias ou de emoções - porque para compreender todas as ideias ou sentir todas as emoções basta exercer o pensamento ou exercer o sentimento, e todos nós, mortais, podemos, sem que nenhum obstáculo nos coarcte, mover-nos liberrimamente nos ilimitados campos do raciocínio ou da sensibilidade.” Eça de Queiroz

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JAC, em 15.10.13

Entrar e estar em São Carlos é sempre bom, independentemente daquilo que se vá ouvir. A beleza do cenário compensa sempre a deslocação e desloca-nos numa cápsula temporal para tempos de antanho onde os doirados e os veludos nos embrulhavam.

“Il Cappello di Paglia di Firenze”, de Nino Rota, é uma ópera bufa divertidíssima, fazendo lembrar antigas comédias de enganos italianas e portuguesas. Elenco e produção da casa, isto é, quase absolutamente nacional. Foi bom perceber que é possível fazer ópera com qualidade em Portugal. Não com o brilho muitas vezes visto em São Carlos, mas com competência e dignidade. Os cenários eram quase inexistentes, por certo por falta de orçamento, mas foram concebidos com alguma habilidade que permitiu que depois de uma estranheza inicial pelo despojamento, as coisas funcionassem. O elenco esteve de um modo geral competente e em alguns casos acima da média, nomeadamente na parte teatral, tão importante nesta ópera.

A surpresa da noite foi o ambiente encontrado. No lugar da predominante elegância de fatos escuros e casacos de peles com uma média etária por vezes próxima da idade da reforma, encontrei uma massa de gente nova em trajes modernos em alegre convivência com alguns desses habituées. Provavelmente houvera oferta de bilhetes a escolas de música, mas encontrar um público rejuvenescido e respeitador do espaço e da música foi uma alegre surpresa que traz alguma esperança em que não se deixe morrer o teatro de ópera neste país. Este foi um contraponto ao facto desta temporada do São Carlos estar reduzida a apenas duas óperas. Apesar da omnipresente crise, o São Carlos terá, por certo, elevadíssimos custos fixos, nomeadamente orquestra e coro residentes. Ora, será questionável que, face à crise, se opte por poucas produções, ainda por cima pouco chamativas de público, pois o custo por ópera deverá ser, este ano, elevadíssimo. Não estamos em tempos de fugas para a frente, mas persistir neste modelo pode conduzir com facilidade a uma morte lenta deste teatro, e com ele da ópera em Portugal.

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