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"Os diletantes são-no geralmente de ideias ou de emoções - porque para compreender todas as ideias ou sentir todas as emoções basta exercer o pensamento ou exercer o sentimento, e todos nós, mortais, podemos, sem que nenhum obstáculo nos coarcte, mover-nos liberrimamente nos ilimitados campos do raciocínio ou da sensibilidade.” Eça de Queiroz

"O Independente"

João A. Moreira, em 22.05.13

Lembro-me da ansiedade que vivi nessa Sexta-feira, há 25 anos atrás. “O Independente” teimava em não chegar a Coimbra e o cansaço acumulado duma noite não dormida quase me fazia desistir de ser dos primeiros a abrir o novo semanário. Mas, a verdade é que não desisti e logo na primeira página o cansaço desvaneceu-se para dar lugar a uma febre de leitura que só acabou horas depois, à mesa do Zé Manel dos Ossos, numa conversa de tema único com o Luís Pedro Mendes de Abreu: “O Independente” era o melhor semanário que já se fizera em Portugal.

Claro que por essa altura, a política nos fervilhava nas veias e o aparecimento de um semanário que se afirmava de direita e zurzia a bom zurzir na maioria social-democrata do Sr. Silva era o sonho de qualquer conservador que se prezasse.

Mas, a verdade é que o Indy acabou por ser bem mais do que isso. Foi a imagem de uma geração que não se revia no cinzentismo pseudo-intelectual do “Expresso”, no esquerdismo assumido de “O Jornal”, nem no caminho de socialite decadente do “Semanário”. No Indy, chamavam-se os bois pelos nomes, falava-se de arquitectura e urbanismo, de poesia, de livros, do cinema que todos víamos e do outro que aprendemos a ver através da prosa mágica do João-Bénard, de música, de História, de arte, de tudo o que realmente nos interessava.

Pela primeira vez, os políticos sentiram-se realmente escrutinados, e isso fez do Portugal dos anos 90, um lugar mais livre e democrático.

Claro que, como todos os projectos realmente importantes e bem feitos, muitos foram os críticos do jornal de Miguel Esteves Cardoso, mas mesmo esses, viram-se obrigados a sair das confortáveis mesas de pub que compartilhavam com o poder para correr atrás desta nova forma de informação.

“O Independente” representou efectivamente, a maior transformação sócio-política do país desde o 25 de Abril, o que não é pouco para um jornal. Mas, como se não bastasse, pelas suas páginas passaram todos os grandes escritores, filósofos, jornalistas, músicos e poetas portugueses. Se alguém duvidar, basta lembrar que nele escreveram com regularidade os dois melhores prosadores da língua portuguesa: Agustina Bessa-Luís e Miguel Esteves Cardoso.

 

 

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Indy contra o "Aborto Ortográfico"

JAC, em 20.05.13

 

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